O tempo não para! Coluna Ubá News de Pedro Henriques Guimarães Filho

O tempo não para

O tempo não para

O tempo não para.
Ele anda em espiral — nunca chega exatamente a um fim, mas avança, implacável.
Enquanto isso, nós escolhemos como caminhar diante dele.

Podemos esperar.
E, ao esperar, ficamos presos no mesmo lugar, enquanto o tempo passa rápido demais.
Podemos também sonhar, criar expectativas, fazer planos — e, se realizamos ao menos uma parte, seguimos juntos com o tempo, não contra ele.

Mas quando procrastinamos, o resultado é sempre o mesmo: frustração.
Nada muda. O dia vira noite, a noite vira dia, e o tempo continua indo embora.

O tempo não para

Então a realidade se impõe.

Vivemos um trauma: a enchente.
Esperamos ajuda. Ela não chega como deveria. E o tempo não para.

Aprendemos, da forma mais dura, que esperar não faz acontecer.
Quem nos ajuda, em grande parte, somos nós mesmos.
Quando não nos ajudamos, quando não nos organizamos, ficamos parados — assistindo o tempo passar, como espectadores do próprio prejuízo.

Ainda assim, mesmo fazendo a nossa parte, esperamos que algo aconteça além dos nossos limites.
Esperamos que os responsáveis pensem, planejem e ajam para mitigar uma enchente que nos assalta todos os anos. Sempre na mesma época. Sempre com os mesmos estragos.

Criamos, após cada tragédia, uma comoção coletiva: “não pode acontecer de novo”.
Mas o tempo passa… e tudo volta a ser espera.

Neste caso, é verdade: muito do que precisa ser feito está nas mãos de quem foi eleito para fazer.
A nós resta cobrar, acompanhar — e não esquecer.

Em 2020, a enchente deixou sua marca em três edições.
Em 2026, já são duas, com pouco mais de dois meses desde o último evento.
Os estragos ainda estão aqui. E estarão por anos.

A cidade ainda não foi limpa por completo.
O Calçadão Ibrahim Jacob é testemunha silenciosa disso.
Quem sabe pudesse até voltar a ser rua. Quem sabe isso atraísse novamente os lojistas, a vida, o fluxo. Mas, enquanto se discute, o tempo passa.

Dois meses se foram.

O dia passou, a noite veio — dezenas de vezes.
E o tempo seguiu, sem que vejamos ações à altura da urgência.

Agora, mais uma vez, esperamos que algo comece.
Que se pense em mitigação. Em prevenção. Em futuro.

Porque, se nada for feito, a próxima tragédia nem precisa ser anunciada — ela acontecerá.
Não estaremos preparados. Nunca estivemos.
E os prejuízos, novamente, recairão sobre todos.

Ainda assim, nossa parte é fundamental.
Precisamos agir, participar, cobrar, mostrar que fazemos o que nos cabe — para que o poder público também faça a parte dele.

Só assim, cada um cumprindo sua responsabilidade, poderemos dormir um pouco mais tranquilos.

O tempo não para.
E procrastinar não é uma opção razoável.
Quando nada acontece, não é escolha: é certeza.
A certeza de que o tempo passará — e a enchente voltará.

O calendário avança sem pedir licença.

2027 já se anuncia no horizonte, e com ele a próxima temporada de águas.
A enchente não precisa de convite, nem de anúncio oficial.
Ela apenas espera o seu tempo — enquanto nós decidimos se faremos algo antes disso.

#CanalFalaSodré #Ubá #UbáMG #CidadeQueReflete #MemóriaUrbana #ResponsabilidadeColetiva #PoderPúblico #CidadaniaAtiva #Enchentes #TemporadaDeChuvas #Prevenção #PlanejamentoUrbano #FuturoEmRisco #2027NoRadar

Pedro Henriques da INDICCA.COM Colunista Ubá News

Comente Aqui

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.