Operação Epicentro: PCMG e MPMG cumprem mais de 100 mandados e bloqueiam R$ 250 milhões de grupo investigado por manipular licitações na Zona da Mata

Operação Epicentro

Operação Epicentro: PCMG e MPMG cumprem mais de 100 mandados e bloqueiam R$ 250 milhões de grupo investigado por manipular licitações na Zona da Mata

Investigações apuram irregularidades na construção do Centro Administrativo de Ubá, desvio de contratos públicos e lavagem de dinheiro. Entre os investigados, estão autoridades e ex-integrantes do Poder Executivo, secretários e ex-secretários municipais, assessores e ex-assessores, empresários e pessoas jurídicas

A Polícia Civil do Estado de Minas Gerais (PCMG), por meio da 2ª Delegacia Regional de Ubá, em ação integrada com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da Procuradoria de Competência Originária (PCO) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Visconde do Rio Branco, deflagraram, nos dias 19, 21 e 22 de outubro, a Operação Epicentro. A ação investiga crimes de organização criminosa, peculato, fraudes em licitações e contratações, corrupção e lavagem de dinheiro.
As investigações examinam graves ilegalidades identificadas durante a construção de um Centro Administrativo em Ubá, iniciada em 2022, durante a gestão passada. Perícias realizadas pelos órgãos técnicos do Ministério Público apontaram indícios de manipulação do processo licitatório.
A prova técnica produzida indica que imóveis públicos municipais negociados com a empresa contratada, para pagamento do contrato administrativo, foram subavaliados, gerando prejuízo milionário ao Município. No mesmo contexto, estão sendo investigadas irregularidades ambientais em permutas envolvendo áreas verdes e áreas de equipamentos comunitários, com violação à legislação de parcelamento do solo urbano e às normas ambientais urbanísticas.
As apurações também incluem desvios de recursos públicos por meio do direcionamento de contratos administrativos para empresas e empresários ligados aos agentes políticos investigados. Entre os casos apurados, estão contratos firmados durante o período de calamidade pública decorrente das enchentes ocorridas em Ubá em fevereiro de 2026.

Provas reunidas


A PCMG e o MPMG e reuniram evidências, por meio de prova documental e testemunhal, de fraudes em licitações e contratações ocorridas durante a atual gestão municipal. As irregularidades envolvem especialmente contratos firmados com empresas para prestação de serviços de limpeza pública e manejo de resíduos sólidos.
Há fortes indícios de que integrantes dos grupos investigados realizavam falsidades e lavagem de dinheiro, com a utilização de “laranjas” para a prática dos crimes. Os investigados teriam agido mediante grave ameaça e intimidação contra aqueles que contrariassem seus interesses privados.
No dia 19 de outubro, foram cumpridos 17 mandados de busca e sete mandados de indisponibilidade de bens dos investigados. As ordens judiciais foram cumpridas nas cidades de Ubá, Juiz de Fora, Leopoldina e Visconde do Rio Branco.

Dias de operação


No dia 21 de outubro, foram cumpridos 28 mandados de busca e 17 mandados de indisponibilidade de bens dos investigados. As ordens foram cumpridas nas cidades de Ubá, Divinésia, Belo Horizonte e Congonhas.
No dia 22 de outubro, foram cumpridos quatro mandados de busca e quatro mandados de constrição de bens — que determinam bloqueio ou restrição de uso de bens dos investigados —, todos em Ubá. Os imóveis permutados pelo Município para a construção do Centro Administrativo foram indisponibilizados pela Justiça, totalizando 24 imóveis.
No total, foram cumpridos 101 mandados judiciais em uma operação que durou três dias. Entre os investigados e representados, estão autoridades e ex-autoridades do Poder Executivo, secretários e ex-secretários municipais, assessores e ex-assessores, empresários, pessoas jurídicas e demais alvos.

Bens bloqueados


Foram bloqueados aproximadamente R$ 250.000.000,00 pertencentes aos investigados. Diversos veículos, máquinas e materiais de interesse às investigações foram apreendidos e estão sendo analisados pela força-tarefa envolvida nos trabalhos.
No momento, os nomes dos investigados e o mérito dos trabalhos não serão divulgados, em razão da necessidade de preservação das apurações.
As ordens judiciais foram expedidas pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, em Belo Horizonte.

A operação contou com a participação de um procurador de justiça, três promotores de justiça, sete delegados de polícia e aproximadamente 150 investigadores e escrivães de polícia. Também integraram a força-tarefa policiais da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) de Juiz de Fora, duas equipes da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), agentes do Grupo de Combate ao Crime Organizado (GCOC) de Visconde do Rio Branco e servidores do Ministério Público.

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