A enchente e os sonhos de uma cidade. Quase dois meses se passaram desde a enchente que marcou Ubá de forma profunda. A água baixou, a lama secou em muitos pontos, e o que antes parecia impossível começa, aos poucos, a ser incorporado à rotina. O caos, quando se prolonga, também cansa — e, de alguma forma, acaba sendo normalizado. Isso não significa superação; muitas vezes é apenas sobrevivência.
A enchente e os sonhos de uma cidade

O Centro ainda sente as feridas abertas
O Centro ainda sente as feridas abertas. Lojas seguem fechadas, a circulação de pessoas está comprometida e a vitalidade comercial, que sempre foi marca da cidade, ainda não encontrou fôlego para retomar plenamente. Há sinais de retorno, é verdade, mas são fragmentados, desiguais. A Rua Isaura Resende conseguiu acontecer novamente; voltou a funcionar, voltou a respirar. Outras, porém, não tiveram a mesma sorte.
A Rua São José
A Rua São José, por exemplo, segue com cerca de 80% de suas atividades paralisadas. O Calçadão, coração simbólico do comércio local, ainda chora sua reconstrução. A Carlos Brandão, o conhecido “Beco do Padilha”, parece distante daquilo que já foi. A Cristiano Roças permanece fechada para manutenção, reforçando a sensação de interrupção contínua.
A ponte caiu
A ponte caiu. E, como não se resolve, resolveu-se do jeito possível: as pessoas passam. O rio segue correndo por debaixo dela, numa imagem quase metafórica — arqueada ao contrário, sustentando o improviso em meio ao caos. A cidade anda, mesmo sem garantia. Porque parar, definitivamente, não é uma opção.
As promessas
As promessas, no entanto, não param de chegar. A Prefeitura anuncia ações. O Estado trouxe a capital, disse que mais próximo faria, e a política segue fazendo o que sempre soube fazer muito bem: anunciar, prometer, sinalizar. Mas, na prática, seguimos aguardando. Aguardando a reconstrução do patrimônio do Centro. Aguardando atenção também aos quilômetros de áreas ribeirinhas que igualmente precisam ser reconstruídas. Quase sessenta dias depois, nem mesmo a limpeza pode ser considerada concluída.
Mitigar ou esperar…
E, ainda assim, novas promessas surgem: agora, as da mitigação. Engenheiros da Vale estudam o que pode ser feito para prevenir uma nova enchente. Junto a eles, surgem também os engenheiros do “achismo”: curiosos, leigos, especialistas de ocasião — todos com uma opinião pronta, uma solução simples para um problema complexo. Quando falta atitude e decisão, sobra criatividade opinativa. E, sem definição clara, a cidade discute enquanto espera.
As próximas chuvas chegam em 2027, ou seja, dentro de 8 a 9 meses!
Se falta atitude concreta, sobra reclamação. E cresce também a expectativa — ou o medo — de quando virá a próxima enchente. O calendário não é generoso: faltam de oito a nove meses para a próxima estação de chuvas de 2027. O tempo passa rápido demais quando se tem tanto por fazer.
Ainda assim, a esperança insiste em existir. E isso, por si só, já é um ato de coragem. Quem pôde, reconstruiu. Desta forma quem ainda não conseguiu, está tentando. Quem não teve condições, aguarda — seja para reconstruir, seja para partir. Cada um vive seu próprio tempo de luto, de reação e de decisão.
Esperança!
Esperançar, aqui, não é romantizar. É prática. Talvez seja a única prática possível para quem não tem muito mais a fazer além de seguir em frente. Esperar, sim — mas não apenas que algo aconteça. Esperar agindo dentro do que é possível para cada um.
Cobremos soluções
A cobrança precisa continuar existindo. Poder público, empresas, instituições: todos têm responsabilidades claras. Mas também é preciso reconhecer que o primeiro passo começa quando alguém levanta da cama e decide fazer a sua parte, por menor que ela pareça. Porque reconstrução não é apenas obra física; é atitude cotidiana.
Aceitar e tomar atitude de fazer
Até Deus está sempre perto, mas se não aceitarmos, nada pode ser feito. A cidade funciona da mesma forma: as soluções podem existir, os recursos podem ser prometidos, mas sem adesão, sem movimento, sem ação concreta, nada se sustenta.
Por isso, entre a crítica necessária e a esperança indispensável, fica o convite — quase um chamado: bora reconstruir. Reconstruir empregos, negócios, vínculos e sonhos. Cada um cuidando da sua parte da cidade. Com responsabilidade, com carinho e com compromisso.
Ubá merece mais do que sobreviver às enchentes. Merece voltar a sonhar — e, principalmente, a realizar.

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