Direito da Pessoa Idosa: Informação, Respeito e Proteção Social
Entrevista com a Advogada Dra. Kézia Khouri no quadro Fala Sodré
Introdução: envelhecer com dignidade é um direito
Antes de tudo, falar sobre o Direito da Pessoa Idosa significa falar sobre o futuro de todos nós.
Além disso, significa reconhecer direitos que já existem, mas ainda não chegam a quem mais precisa.
Nesse cenário, a entrevista conduzida pelo Repórter Carlos Roberto Sodré traz esclarecimentos fundamentais.
Durante a conversa, a Advogada Dra. Kézia Khouri abordou temas práticos, atuais e sensíveis.
Sobretudo, ela alertou sobre violações silenciosas que afetam milhões de brasileiros todos os dias.
Direito da Pessoa Idosa: Informação, Respeito e Proteção Social

O Estatuto da Pessoa Idosa e a mudança de linguagem
Inicialmente, Dra. Kézia destacou um ponto essencial.
Desde 2022, a legislação passou a adotar oficialmente o termo Estatuto da Pessoa Idosa.
Segundo a advogada, a mudança não é apenas semântica.
Pelo contrário, ela reforça o conceito de dignidade humana.
“Quando você resume alguém apenas à palavra idoso, você exclui a pessoa. O foco precisa estar na pessoa antes da idade”, explicou.
Consequentemente, essa abordagem fortalece a ideia de cidadania ativa.
Além disso, amplia a compreensão social sobre respeito e inclusão.
Por fim, afasta visões preconceituosas ligadas ao envelhecimento.
Quem é considerado pessoa idosa no Brasil
Em seguida, Dra. Kézia esclareceu as idades legais previstas.
No Brasil, a pessoa passa a ser considerada idosa a partir dos 60 anos.
Entretanto, alguns direitos surgem em idades específicas.
Por exemplo, aos 65 anos, ocorre o acesso a determinados benefícios sociais.
Já aos 70 anos, existem impactos diretos no Direito Penal, como redução de penas.
Enquanto isso, aos 80 anos, a lei garante a chamada prioridade da prioridade.
Dessa forma, a legislação reconhece diferentes níveis de vulnerabilidade ao longo do envelhecimento.
Prioridade não é privilégio
Logo depois, um ponto importante ganhou destaque.
Prioridade não significa privilégio.
Na prática, prioridade existe para compensar limitações naturais da idade.
A advogada reforçou que mobilidade reduzida, dificuldades visuais e questões de saúde exigem atenção especial.
Portanto, filas preferenciais, atendimento agilizado e assentos reservados não representam vantagens indevidas.
Na verdade, representam respeito mínimo.
Além disso, o Estatuto exige que estabelecimentos estejam preparados para receber pessoas idosas com dignidade.
Transporte público e mobilidade urbana
Outro tema amplamente discutido foi o direito ao transporte público gratuito.
Segundo Dra. Kézia, essa garantia não deve gerar constrangimento.
Contudo, na realidade, muitos idosos ainda enfrentam dificuldades.
Ônibus sem acessibilidade, motoristas impacientes e falta de informação são problemas recorrentes.
Nesse contexto, a advogada ressaltou a importância do conhecimento dos direitos.
“Quando a pessoa idosa conhece seus direitos, ela consegue se posicionar com segurança”, afirmou.
A prova de vida e o fim das filas desumanas
Posteriormente, a entrevista abordou a antiga exigência da prova de vida presencial.
Durante muitos anos, idosos precisavam enfrentar longas filas para manter benefícios.
Hoje, a legislação evoluiu.
Atualmente, em muitos casos, o cruzamento de dados substitui a presença física.
Assim, o Estado diminui o desgaste físico e emocional.
Ainda assim, Dra. Kézia alertou que falhas continuam ocorrendo.
Por isso, ela recomenda buscar apoio jurídico sempre que houver abuso administrativo.
Empréstimos consignados e armadilhas financeiras
Sem dúvida, esse foi um dos pontos mais sensíveis da conversa.
A advogada relatou casos frequentes de idosos vítimas de empréstimos enganosos.
Muitas vezes, o desconto aparece sem explicação clara.
Em vários relatos, o problema envolve o RMC – Reserva de Margem Consignável.
Nesse modelo, o idoso acredita pagar parcelas.
Na realidade, paga apenas juros.
Enquanto isso, a dívida principal permanece ativa.
“A pessoa acredita que está quitando, mas o valor nunca diminui”, explicou.
Diante disso, o Código de Defesa do Consumidor se aplica integralmente.
A informação precisa ser clara, objetiva e acessível.
Caso contrário, o contrato pode ser anulado judicialmente.
Violência financeira dentro da própria família
Além dos bancos, a violência pode vir de dentro de casa.
Segundo Dra. Kézia, familiares próximos aparecem frequentemente como autores de abusos financeiros.
Uso indevido de cartões, retenção de aposentadoria e pressão emocional são práticas comuns.
Nessas situações, a advogada foi direta.
O silêncio favorece o agressor.
Buscar ajuda é fundamental.
Portanto, denunciar não significa romper laços afetivos.
Significa preservar a dignidade.
Violência física e psicológica contra idosos
Mais adiante, a entrevista abordou casos de violência física e psicológica.
Infelizmente, relatos aparecem diariamente nos noticiários.
Assaltos, quedas durante abordagens violentas e negligência institucional são frequentes.
Dra. Kézia lembrou que qualquer pessoa pode e deve denunciar.
A omissão, nesse caso, também representa violação social.
“Todos nós vamos envelhecer. Proteger hoje é garantir proteção amanhã”, reforçou.
O dever do Estado e a responsabilidade da sociedade
Em seguida, a reflexão avançou para o papel do Estado.
Apesar de uma legislação robusta, a falha prática ainda existe.
Faltam fiscalização, estrutura e capacitação.
Por outro lado, a advogada destacou o papel da sociedade civil.
Vizinhos atentos, familiares conscientes e comerciantes responsáveis fazem diferença.
Assim, o cuidado com a pessoa idosa vai além da lei.
Ele envolve empatia cotidiana.
Benefício assistencial para quem nunca contribuiu
Outro esclarecimento importante envolveu o BPC – Benefício de Prestação Continuada.
Pessoas com 65 anos ou mais, sem condições financeiras, podem ter direito.
Mesmo sem contribuição ao INSS, o benefício garante um salário mínimo.
Nesse ponto, Dra. Kézia destacou um detalhe relevante.
Filhos possuem obrigação legal de cuidar dos pais idosos em situação de vulnerabilidade.
O Estatuto prevê, inclusive, a possibilidade de definir qual filho será responsável.
Saúde, medicamentos e qualidade de vida
Na parte final da entrevista, o tema saúde ganhou espaço.
Pessoas idosas possuem custos maiores com medicamentos e acompanhamento médico.
Por isso, o direito à prioridade também se justifica economicamente.
Além disso, envelhecer de forma ativa melhora a qualidade de vida.
Exemplos de idosos cursando faculdade após os 80 anos emocionam e inspiram.
Segundo a advogada, nunca é tarde para realizar sonhos.
Escuta ativa e valorização da experiência
Encerrando a conversa, Dra. Kézia deixou um conselho direto aos mais jovens.
Ouvir quem tem mais experiência encurta caminhos.
“Convivam com pessoas idosas. Escutem com atenção. Elas têm muito a ensinar”, afirmou.
De fato, em uma sociedade acelerada, escutar torna-se um ato de respeito.
Valorizar a experiência preserva a memória coletiva.
Ficha técnica do conteúdo
- Entrevista: Repórter Carlos Roberto Sodré
- Entrevistada: Advogada Dra. Kézia Khouri
- Imagens: Laisa Sodré
- Geração de Conteúdo: Pedro Henriques – INDICCA.COM
Considerações finais
Por fim, a entrevista mostrou que o Direito da Pessoa Idosa vai além da legislação.
Ele exige consciência social, informação qualificada e ação prática.
Enquanto isso, conhecer direitos fortalece a autonomia.
Respeitar a idade constrói uma sociedade mais justa.
📚 Cobertura: Carlos Roberto Sodré WhatsApp
📸 Imagens: Laisa Sodré / Felipe Oliveira
📝 Conteúdo: Pedro Henriques – INDICCA.COM WhatsApp
🎓 Evento: Direito da Pessoa Idosa: Informação, Respeito e Proteção Social
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