Carnaval Cidade Carinho Ubá 2026: a percepção dos blocos e as vozes que precisavam ser ouvidas
O Carnaval Cidade Carinho 2026 ganhou novos contornos após a decisão da Prefeitura de Ubá de concentrar 100% da programação na Avenida do Samba Sebastião Valoz Davi. A mudança provocou uma reação imediata entre os blocos tradicionais, e pelo menos cinco deles anunciaram a desistência de participar este ano.
Por isso, o repórter Carlos Roberto Sodré decidiu ouvir quem realmente faz o Carnaval acontecer: os organizadores dos blocos, suas lideranças e representantes. As imagens são de Laisa Sodré, e a geração e organização de conteúdo ficam por conta de Pedro Henriques, da INDICCA.COM.
Neste registro, você confere as principais falas, percepções, críticas e expectativas dos envolvidos, com profundidade e clareza para que o público entenda o cenário real do Carnaval de Ubá em 2026.
A decisão que mudou tudo
Antes de tudo, é preciso lembrar que a reunião realizada na Prefeitura no dia 15 de janeiro de 2026 tratava de segurança pública e logística. No encontro, órgãos como Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Secretaria de Cultura e representantes dos blocos analisaram riscos, demandas e exigências legais.
Porém, a definição de que todos os desfiles seriam centralizados em um único ponto da cidade gerou insatisfação.
E Sodré resume o clima com precisão:
“Pelo menos cinco blocos se manifestaram contrários à participação do Carnaval e desistiram do desfile.”

Bloco Alvorada: tradição que se vê obrigada a pausar
Logo no início da entrevista, o representante do Bloco Alvorada expressa tristeza. Ele afirma:
“É com o coração partido que estamos dando essa pausa. O bloco completa 30 anos de existência.”
O bloco reconhece a importância da segurança. Mas ressalta que a responsabilidade colocada sobre os presidentes ficou pesada demais.
Segundo ele, a centralização impôs demandas que, nas palavras do próprio representante, “colocariam o CPF em risco”, referindo-se ao grau de responsabilidade individual exigida pela nova regulamentação.
Mesmo insatisfeitos, garantem presença como foliões. Porém, sem desfile.

Bloco da Ligação: impacto direto na comunidade
Em seguida, Sodré escuta o representante da comunidade da Ligação, responsável pelo bloco local.
Ele lamenta profundamente a mudança.
“A gente tira esse bloco para ajudar a igrejinha lá da Ligação… é revertido para a comunidade.”
O bloco explica que o Carnaval ali sempre manteve clima familiar e tradicional. E completa:
“Levando para cima, o pessoal não vai aderir. A comunidade não vai acompanhar.”
Assim, o bloco não encontrou viabilidade para desfilar em 2026.

Bloco das Piranhas: 54 anos interrompidos
O depoimento mais contundente vem do tradicionalíssimo Bloco das Piranhas, prestes a completar 54 anos.
Seu representante, visivelmente transtornado, declara:
“Decisão única e exclusiva pelo local. O bloco nasceu ali e nunca saiu de lá.”
Ele mostra indignação com o fato de que, embora autoridades aleguem risco de violência, o bloco desfilou em 2025 sem uma única confusão.
“O tenente Rivero nos chamou no final do bloco para nos parabenizar, dizendo que não precisaram usar força nenhuma.”
Para os organizadores, a mudança repentina e a falta de tempo para diálogo tornaram tudo mais difícil:
“Carnaval não se organiza com 15 dias.”
A decisão, portanto, foi irrevogável.
E o representante desabafa:
“Como presidente, me sinto manchado. O bloco nunca ficou de fora, só na pandemia.”
As autoridades explicam o motivo da mudança
Após ouvir os blocos, Sodré vira o microfone para as autoridades.
E o cenário muda de tom.

Corpo de Bombeiros
O representante destaca:
“A decisão mais segura para o município é concentrar toda a festa na mesma área.”
Ele afirma que a criminalidade mudou, que as estratégias precisam acompanhar a realidade e que riscos como explosões, pânico e esmagamento não podem ser ignorados.
Polícia Militar
O tenente Rodrigues reforça:
“A segurança da população está em primeiro lugar.”
E, além disso, revela algo chocante:
“Em 2025, apreendemos oito granadas usadas em guerra.”
Segundo ele, havia denúncias de possível uso desses explosivos inclusive no ambiente do Carnaval.
Por isso, a PM acredita que a Avenida do Samba permite mais controle, mais barreiras, mais câmeras e, portanto, mais segurança.

A AESBU e a visão organizacional
O presidente da AESBU, Cláudio César, reconhece a frustração dos blocos, mas lembra que essa mudança vem sendo debatida há quatro anos. E reforça:
“O importante é fazer um Carnaval para o povo e para a família, com segurança e estrutura.”
Além disso, anuncia a presença de bandas após os desfiles — algo ausente em anos anteriores.
O Carnaval continua, mas o debate também
Mesmo com as desistências, autoridades, organizadores e a própria população seguem envolvidos na missão de fazer do Carnaval 2026 um evento seguro, acolhedor e alegre.
Porém, a fala dos blocos deixa um recado claro:
o diálogo precisa começar mais cedo.
Sodré conclui sua cobertura destacando que ouvir os blocos era fundamental.
E este registro, com imagens de Laisa Sodré e conteúdo organizado por Pedro Henriques – INDICCA.COM, cumpre exatamente esse papel: dar voz a quem faz a festa acontecer.
📚 Cobertura: Carlos Roberto Sodré WhatsApp
📸 Imagens: Laisa Sodré / Felipe Oliveira
📝 Conteúdo: Pedro Henriques – INDICCA.COM WhatsApp
🎓 Evento: Carnaval Cidade Carinho Ubá 2026 a percepção dos blocos e as vozes que precisavam ser ouvidas


