Sob a Luz das Estrelas, o Rock Ganha Outra Alma

Sob a Luz das Estrelas, o Rock Ganha Outra Alma

Sob a Luz das Estrelas, o Rock Ganha Outra Alma

Existem experiências culturais que surpreendem pelo que apresentam. Outras surpreendem pelo que nos fazem sentir. O concerto Starlight – Clássicos do Rock pertence à segunda categoria.

Recentemente, eu e minha esposa, Izabel, perdemos a oportunidade de assistir ao espetáculo quando passou por Ubá. Na ocasião, eu estava em viagem de moto. Porém, ao descobrir que uma nova apresentação aconteceria em Cataguases, bem pertinho de nós, resolvemos aproveitar a sessão das 17h e transformar o domingo em um programa diferente.

Sob a Luz das Estrelas, o Rock Ganha Outra Alma

Sob a Luz das Estrelas, o Rock Ganha Outra Alma

E que acerto.

O espetáculo aconteceu na acolhedora Sala Humberto Mauro, no Centro Cultural de Cataguases, cidade que há décadas constrói uma relação especial com a arte, o cinema, a arquitetura e a cultura. Talvez por isso o ambiente pareça tão adequado para receber uma proposta que mistura tradição e inovação.

A ideia é simples apenas na aparência: clássicos do rock reinterpretados de forma instrumental por um trio formado por violino, violoncelo e teclado digital. Na prática, porém, o resultado é muito mais complexo e emocionante do que qualquer descrição consegue transmitir.

Durante cerca de uma hora e meia, músicas que fazem parte da memória coletiva ganharam novas cores e novas emoções. O curioso é perceber como instrumentos tradicionalmente associados ao universo erudito conseguem traduzir com tanta intensidade a energia do rock.

Em vários momentos me peguei refletindo sobre isso.

Como pode um violino substituir, em nossa percepção, a força de uma guitarra? Como um violoncelo consegue transmitir a mesma potência emocional de riffs que ouvimos há décadas?

A resposta talvez esteja na essência da música.

Quando a melodia é forte e a interpretação é verdadeira, os instrumentos deixam de importar. O que chega ao público é a emoção.

E emoção não faltou.

Os músicos conduziram a apresentação com técnica, energia e uma impressionante capacidade de conexão com a plateia. Em diversos momentos convidaram o público a participar, cantar e se envolver com o espetáculo. Aquilo deixou de ser apenas uma apresentação musical para se transformar em uma experiência compartilhada.

Ali estavam pessoas de diferentes gerações, unidas pelas mesmas lembranças. Algumas cantavam discretamente. Outras acompanhavam com os olhos fechados. Muitas registravam momentos com seus celulares. Todas pareciam conectadas por algo que vai além da música: a memória afetiva.

Talvez seja justamente aí que reside a força de um espetáculo como o Starlight.

A música transforma o objetivo em subjetivo. Ela pega notas organizadas matematicamente e as converte em sentimentos, lembranças e experiências pessoais. Cada pessoa escuta a mesma canção, mas revive histórias diferentes.

Ao final, ficou a sensação de ter participado de algo especial.

E como toda boa experiência merece ser completa, encerramos a tarde na Occa Bar, em Cataguases, onde aproveitamos uma excelente pizza e prolongamos a conversa sobre o espetáculo.

Também tiramos muitas fotos para registrar o momento. Eu, Izabel e Janaina nos divertimos bastante naquela tarde que uniu cultura, música, amizade e gastronomia.

Fica, portanto, a recomendação.

Se o Starlight passar pela sua cidade, ou se surgir uma oportunidade em Cataguases, vale a pena reservar algumas horas da agenda. Afinal, nem todo dia temos a chance de ouvir os clássicos do rock que embalaram nossas vidas sob uma nova luz.

Uma luz que vem das estrelas, mas que termina iluminando nossas próprias memórias.

Pedro Henriques Guimarães Filho - Colunista

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