Aprendendo com Thiago Varejo. A Hora e a Vez de Aprender: Thiago Varejo mostra que vender bem é método, não sorte. Quem participou do Almoço Empresarial da ACIUBÁ nesta semana saiu com um sentimento em comum: está difícil para todo mundo. Mas saiu também com uma certeza ainda mais importante: existem caminhos para transformar dificuldades em oportunidades.
O encontro, patrocinado pelo Sebrae Minas e com importante apoio de Patrícia Souza, trouxe a Ubá o consultor Thiago Varejo, que apresentou uma palestra prática, direta e cheia de exemplos reais sobre varejo, vendas e gestão de pessoas. Nada de fórmulas mágicas. O foco esteve naquilo que realmente gera resultado: método, disciplina e acompanhamento.
Networking da ACIUBÁ
Mais do que promover palestras, a ACIUBÁ vem consolidando uma cultura de conexões através do Café Empresarial e do Almoço Empresarial. Os encontros criam um ambiente onde empresários, gestores, profissionais e empreendedores podem ampliar relacionamentos, compartilhar experiências e gerar novas oportunidades de negócios. Um dos momentos mais ricos é a apresentação individual dos participantes, que exercitam o chamado pitch de elevador: uma apresentação rápida, objetiva e impactante, capaz de despertar interesse em menos de 30 segundos. Em um mercado onde a atenção é cada vez mais disputada, aprender a comunicar com clareza quem você é, o que faz e como pode ajudar alguém tornou-se uma habilidade tão importante quanto vender. É nesse ambiente de troca e conexão que muitas parcerias, clientes e oportunidades começam a surgir.

Aprendendo com Thiago Varejo.
Thiago iniciou lembrando uma dor compartilhada por praticamente todos os empresários: a falta de mão de obra qualificada, os custos elevados e a pesada carga tributária. Problemas conhecidos. Mas, segundo ele, reclamar desses fatores não muda o resultado. O que muda é a forma como cada empresário administra aquilo que está sob seu controle.
Guerra de preços
Uma das mensagens mais fortes do encontro foi sobre a guerra de preços. Quem entra apenas nessa disputa sempre encontrará alguém disposto a vender mais barato. O problema é que essa corrida geralmente termina com margens menores e negócios mais frágeis. A saída está em desenvolver outras armas: relacionamento, estratégia, atendimento, conhecimento do cliente e gestão eficiente.
Mais do que vender, Thiago defendeu que o empresário precisa aprender a administrar o negócio por indicadores. Para ele, muitos gestores conhecem o faturamento, mas não sabem exatamente onde está o lucro. O dinheiro pode estar parado em estoques excessivos, em compras equivocadas ou em processos que consomem recursos sem gerar resultados. A provocação foi simples: antes de buscar vender mais, é preciso enxergar melhor o próprio negócio.
Dinheiro escondido no estoque
Outro ponto importante foi a compra de mercadorias. Segundo Thiago, existe muito dinheiro escondido no estoque. Conhecer o histórico de vendas, acompanhar a saída dos produtos e entender o que gira e o que fica parado pode representar a diferença entre lucro e prejuízo. Estoque é segurança contra rupturas, mas estoque sem giro é dinheiro parado.
Poucos observam o lucro
E foi justamente sobre lucro que ele fez um alerta importante. Muitos empresários acompanham faturamento diariamente, mas poucos observam o lucro com a mesma atenção. Vender muito não significa necessariamente ganhar dinheiro. O lucro precisa estar no radar todos os dias.
Nesse contexto, chamou atenção sua análise sobre compras. Segundo ele, muitas empresas ainda compram por hábito, pela sugestão de fornecedores ou pela urgência do momento. O caminho mais seguro é utilizar o histórico de vendas para prever necessidades futuras. Comprar bem significa transformar informação em decisão, evitando tanto a ruptura quanto o excesso de mercadorias paradas.
O que e como o seu cliente compra?
Ao abordar vendas, Thiago apresentou uma reflexão interessante sobre desejo e necessidade. Existem produtos que o cliente compra porque precisa e outros que ele compra porque deseja. Entender essa diferença é fundamental para definir a abordagem correta, a comunicação e até mesmo o marketing utilizado.
Vender para um cliente novo é complicado, então venda para o seu cliente através de recorrência!
Outra provocação que chamou atenção foi a importância da recorrência. Se conquistar novos clientes está cada vez mais caro e difícil, vender novamente para quem já compra da empresa torna-se uma estratégia extremamente inteligente. Conhecer hábitos de consumo, prever a próxima necessidade e manter contato constante com a base de clientes pode gerar resultados surpreendentes.
Thiago foi enfático ao afirmar que muitas empresas possuem verdadeiras riquezas escondidas em suas bases de clientes. Cadastros incompletos, falta de acompanhamento e ausência de relacionamento fazem com que oportunidades se percam diariamente. Em sua visão, o empresário moderno precisa criar pontes permanentes com o cliente por meio de grupos, listas de transmissão, redes sociais e contatos recorrentes.

Gerencie o estoque de clientes, cadastre e atualize sua base de clientes!
Nesse contexto, surgiram sugestões práticas: manter cadastros atualizados, criar grupos de relacionamento no WhatsApp, fortalecer a presença nas redes sociais e criar canais permanentes de comunicação. O cliente precisa lembrar da empresa antes de precisar do produto.
Faça vídeo, apareça e mostre a cara da dono!
No marketing digital, Thiago foi direto: os vídeos precisam falar rapidamente com quem procura a solução. Nada de longas apresentações. É importante citar a cidade, apresentar o problema e mostrar a solução. E reforçou algo que muitos empresários ainda resistem em fazer: aparecer.
“O vídeo com a cara do dono gera confiança.”
O palestrante lembrou ainda que atenção se tornou um dos ativos mais valiosos do mercado atual. Por isso, defende comunicações objetivas, capazes de despertar interesse nos primeiros segundos. Citar a cidade, o problema e a solução logo no início de um vídeo ajuda a criar conexão imediata com quem está assistindo.
O exemplo citado foi de empresários que transformaram suas próprias imagens em verdadeiros ativos de marketing. Pessoas se conectam com pessoas, não com logotipos.
Em reunião de Vendas avalie e direcione atitudes divergentes do tema
Na gestão de equipes, o palestrante trouxe recomendações igualmente práticas. Reuniões precisam ser objetivas, rápidas e focadas. Um dos pontos mais marcantes foi sua defesa da rotina comercial. Segundo Thiago, vendedores não podem começar o dia sem direção. A equipe precisa saber o que vendeu ontem, quantos atendimentos realizou, quais são as metas da semana e quais clientes devem ser contatados. Para ele, vendas não podem depender da sorte ou da inspiração do dia. Precisam depender de processo. Divergências importantes devem ser tratadas individualmente para não desviar a atenção do grupo.
Falar ou Treinar? Avalie como está conduzindo sua atitude.
Já sobre treinamento, a mensagem foi clara: apenas falar não basta. É preciso simular situações reais, praticar argumentos e desenvolver confiança. O treinamento deve ser contínuo, transformando-se em rotina e não em evento isolado.
Para ilustrar essa ideia, Thiago realizou exercícios práticos durante a palestra, demonstrando que explicar não é o mesmo que ensinar. O conhecimento somente se transforma em resultado quando o colaborador pratica, repete e ganha confiança para aplicar o que aprendeu diante do cliente.
Metas Mensais ou Semanais?
Outro conceito interessante foi a questão das metas. Segundo Thiago, muitas empresas trabalham apenas com metas mensais. Isso faz com que a equipe se mobilize efetivamente poucas vezes ao ano. Quando as metas são semanais, o nível de acompanhamento aumenta significativamente e a produtividade acompanha esse ritmo.
Ao final do encontro, ficou uma percepção clara: o cenário está difícil para todos, mas as empresas que desenvolvem método conseguem encontrar oportunidades mesmo em momentos desafiadores. Lucro, estoque, marketing, gestão de pessoas e vendas deixaram de ser áreas independentes para formar uma única estratégia de crescimento.
A principal lição de Thiago Varejo talvez possa ser resumida em uma frase: resultado não é consequência de sorte ou talento. Resultado é consequência de método.
E foi exatamente essa reflexão que a ACIUBÁ, com patrocínio do Sebrae Minas e apoio de Patrícia Souza, proporcionou aos empresários presentes: a oportunidade de aprender, questionar e voltar para suas empresas com novas ferramentas para enfrentar os desafios do mercado.
A frase que talvez resuma melhor todo o encontro seja simples:
“Está difícil para todo mundo. Mas pior ainda é não saber onde está o seu dinheiro.”
Pode estar parado no estoque. Pode estar escondido na falta de acompanhamento dos clientes. Pode estar na ausência de treinamento da equipe. Ou, quem sabe, já esteja no bolso do concorrente.
O importante é continuar aprendendo.
E, nesse aspecto, a ACIUBÁ, o Sebrae Minas e todos os envolvidos no evento cumpriram com excelência seu papel de provocar reflexões e estimular a busca por soluções. Porque em um mercado cada vez mais competitivo, aprender deixou de ser diferencial. Aprender tornou-se necessidade.
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