Sem um FAROL, seguimos à deriva

Sem um FAROL, seguimos à deriva. O tempo segue implacável. Sessenta dias já se passaram desde a enchente e, enquanto aguardamos a conclusão da limpeza em diversos pontos da cidade, uma pergunta insiste em permanecer: como seguimos sem direção clara?

Sem um FAROL, seguimos à deriva

Sem um FAROL, seguimos à deriva

A reconstrução

A reconstrução da Avenida Beira Rio, nas proximidades da Motauto, finalmente entrou em movimento. É justo reconhecer: ver uma obra avançando traz alento. Mostra que há retomada possível, que nem tudo está parado. Também já se percebe uma agenda para o tratamento dos rejeitos da enchente, que haviam sido depositados temporariamente em alguns locais e agora começam a ser levados a destinos ambientalmente adequados. São sinais positivos e precisam ser celebrados.

o vácuo é rapidamente ocupado por versões

O problema é que, na ausência de informação estruturada, o vácuo é rapidamente ocupado por versões, boatos e desânimo. Quando não há comunicação, cada um cria a sua narrativa — e nem sempre ela é positiva. Já se ouve, com frequência, que “não vale a pena retornar”. Eu sigo acreditando que vale, sim, a pena retornar. Mas acreditar, sozinho, não sustenta uma cidade.

O tempo não espera. E passados mais de sessenta dias, sem um canal claro de comunicação, o desgaste se amplia.

Basta caminhar pelo Calçadão

Basta caminhar pelo Calçadão para sentir essa ausência de direção. O espaço ainda permanece sujo e inadequado para uso. Enquanto isso, a Ideal Tecidos dá um exemplo importante ao retomar suas atividades. Parabéns à empresa, que demonstra energia, coragem e capacidade de fazer acontecer. Ainda assim, o entorno denuncia abandono: ruas deterioradas, o Calçadão precário, a Rua Cristiano Roças interditada. A ponte já está em uso, mas desalineada, transformando a logística urbana em um verdadeiro caos para quem circula, leva e traz.

Esse cenário se repete em outras regiões. Muitas lojas ainda não retornaram. Há áreas da cidade que parecem caminhar para o esvaziamento. Quem voltou, enfrenta uma queda assustadora no movimento. Quem não voltou, muitas vezes sequer sabe por onde começar. Aqui, a falta de uma comunicação de liderança não é detalhe — é um fator decisivo.

a próxima enchente

E enquanto lidamos com o presente, uma preocupação maior se aproxima silenciosamente: a próxima enchente. Se nada for feito no campo da mitigação, ela já tem data aproximada: 2027. Podemos até iniciar uma contagem regressiva informal — dez meses a mais, um pouco a menos —, mas o fato é simples: sem ações estruturais, ela virá. E se temos dificuldade para reparar, quando iremos, de fato, prevenir?

É aqui que surge a pergunta central:
como seguir sem um FAROL?

No mar, os pontos de risco são sinalizados por faróis. Não exigem discursos longos. São luz. Informação clara. Direção. Sem eles, qualquer embarcação navega rumo ao naufrágio. A comunicação cumpre esse mesmo papel na sociedade: orienta, reduz incertezas, cria caminhos possíveis.

Falhar na comunicação é perder completamente a direção

Falhar no fazer já é grave. Entretanto falhar na comunicação é perder completamente a direção.
Sem um FAROL aceso, o caos se instala, o futuro se torna incerto e a energia coletiva se dispersa.

É justo — e necessário — cobrar ações. Mas antes de tudo, é preciso cobrar um FAROL. Comunicação clara, frequente e acessível. Nem tudo depende do poder público; muitas decisões cabem a cada um em seu próprio “navio”. Mas sem orientação, até quem quer fazer se perde. Quem avança inspira outros, mas também sente o peso de ver vizinhos à deriva.

Com o tempo, o entusiasmo esfria. A incerteza vira rotina. E o que poderia mobilizar passa a desanimar.

Não é da nossa natureza aceitar a derrota

Não é da nossa natureza aceitar a derrota. Podemos até parecer abatidos, mas seguimos vivos — e isso significa que seguimos capazes. Se o FAROL não se acende, que saibamos procurar pontos de luz. Então se a ajuda vier de um vizinho, que aceitemos. Se vier de um desconhecido, mesmo com receio, que a recebamos. Refazer é processo. Esperar, apenas, não é solução.

não permita que a escuridão seja justificativa

Faça e cobre. Cobre e faça. Busque o equilíbrio. Mesmo que o FAROL acenda e apague, não permita que a escuridão seja justificativa para não enfrentar os problemas.

Se existe um tempo de parada, que ele sirva para melhorar antes da retomada. Voltar com menos recursos pode significar voltar com mais eficiência. A experiência de atravessar a “guerra” não pode enfraquecer nossa capacidade de aprender. Perdemos batalhas, empatamos outras — e vencemos algumas. Para melhorar os resultados, planejamento e estratégia são indispensáveis, como ensina Sun Tzu na Arte da Guerra.

Muito depende de nós

Muito depende de nós. Ainda assim, precisamos de líderes. Líderes que facilitem, organizem e comuniquem. Nem todos têm a mesma capacidade de ação, e isso precisa ser reconhecido. Questionar, cobrar e até criticar faz parte do processo. Mas, novamente, sem um canal eficiente de comunicação, nem a reclamação chega ao destino certo, nem o esforço de quem faz se torna visível para quem aguarda.

Sem FAROL, a cidade não anda.
Com luz, há caminho.

Por Pedro Henriques Guimarães Filho

Pedro Henriques da INDICCA.COM Colunista Ubá News

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