Dois meses após a enchente histórica, Ubá transforma dor em memória viva
A madrugada que mudou a história da cidade
Primeiramente, a cidade de Ubá acordou diferente na madrugada de 23 para 24 de fevereiro.
Naquele momento, a água avançou sem pedir licença.
Em poucas horas, ruas desapareceram.
Casas foram invadidas.
Histórias ficaram submersas.
Assim, dois meses depois, Ubá não fala mais apenas de perdas.
Agora, a cidade fala de sobrevivência.
Além disso, fala de fé, solidariedade e resistência.
Por isso, o Fala Sodré decidiu ouvir quem viveu o pior da enchente e carrega no corpo e na memória as marcas daquela noite.
Dessa vez, o microfone foi até a Sra. Ana Magalhães, sobrevivente da enchente mais devastadora da história do município.
Dois meses após a enchente histórica, Ubá transforma dor em memória viva








A noite em que a água entrou sem avisar
De acordo com Ana Magalhães, tudo parecia normal.
Ela dormia tranquilamente.
No entanto, o cenário mudou em silêncio.
“Coloquei os pés no chão e senti a água na altura da canela. Minha casa nunca tinha alagado. Naquele momento, eu percebi: algo muito grave estava acontecendo.”
Logo depois, a água continuou subindo.
Primeiro na canela.
Depois na cintura.
Em seguida, no peito.
Enquanto isso, os vizinhos gritavam.
A rua virava um rio.
O medo crescia.
Ainda assim, Ana manteve a calma.
Segundo ela, a fé segurou suas pernas quando o corpo ameaçava ceder.
“Eu sempre falei para minhas filhas: eu estou bem. Alguém vai chegar. Eu confiei o tempo todo.”
Uma videochamada que salvou mais que palavras
Enquanto aguardava o socorro, Ana segurava o celular com firmeza.
Do outro lado da tela, estavam duas filhas.
Entre elas, Letícia Magalhães, em São Paulo.
Enquanto isso, a ligação seguia aberta.
Perguntas iam e vinham.
A respiração precisava seguir controlada.
“A água estava no meu pescoço. Mesmo assim, eu dizia: estou bem. Eu precisava tranquilizar minhas filhas.”
Nesse momento, a tecnologia virou ponte.
A ligação virou força.
A voz virou âncora emocional.
A espera na janela e a mão que não soltou
Naquele ponto, sair pela porta já não era possível.
A casa estava tomada pela lama.
Assim, Ana permaneceu na janela.
Do lado de fora, um vizinho policial chamado Guilherme não saiu do lugar.
“Ele ficou comigo o tempo todo. Conversava. Pedia para eu não escorregar. Aquela conversa salvou minha vida.”
Enquanto a água subia, o tempo parecia não andar.
Até que o socorro chegou.
Bombeiros, um bote emprestado e o resgate
Quando os bombeiros chegaram, um novo desafio surgiu.
Eles não tinham bote suficiente.
Então, a solidariedade falou mais alto.
Um morador de Ubá, Gil Gomes, emprestou o próprio bote.
Graças a esse gesto, o resgate ocorreu.
“Eu fui salva pelos bombeiros, usando o bote do Gil. Isso a gente nunca esquece.”
Durante o resgate, o bombeiro Hélio conduziu tudo com calma.
Ele fez perguntas.
Avaliou a saúde.
Manteve Ana consciente.
Pouco depois, ela atravessava um mar de água onde antes existia sua rua.
O depois da enchente: sair para continuar vivendo
Após o resgate, Ana saiu apenas com a roupa do corpo.
Nada mais pôde ser salvo.
Desde então, ela não voltou para a antiga casa.
E não pretende voltar.
“Eu não vou retornar. Eu quero viver. Meus filhos precisam de paz.”
Hoje, Ana vive acolhida por amigos.
Ela recebe visitas.
Ela segue acompanhada.
Além disso, ela trata as marcas emocionais deixadas pela tragédia.
“As noites não foram fáceis. Precisei de médico. Não é simples passar por isso aos 80 anos.”
Mesmo assim, ela não fala com amargura.
Ela fala com gratidão.
Fé, gratidão e renascimento
Para Ana Magalhães, existem agora duas datas sagradas.
O 24 de fevereiro, dia do renascimento.
E o 24 de julho, data pessoal que ganhou novo significado.
“Se as águas da vida quiserem te afogar, segura na mão de Deus e vai.”
Essa frase resume sua travessia.
Resume também o sentimento de muitos ubaenses.
Ubá precisa lembrar para não repetir
Dois meses depois, a cidade segue em reconstrução.
No entanto, a memória precisa ficar.
Porque lembrar não dói.
Esquecer, sim.
Registrar essas histórias significa preparar o futuro.
Significa cobrar soluções.
Significa respeitar quem ficou.
O Fala Sodré cumpre esse papel.
Escuta.
Registra.
Humaniza.
Créditos do registro
📚 Cobertura: Carlos Roberto Sodré WhatsApp
📸 Imagens: Laisa Sodré / Felipe Oliveira
📝 Conteúdo: Pedro Henriques – INDICCA.COM WhatsApp
🎓 Evento: Dois meses após a enchente histórica, Ubá transforma dor em memória viva
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