A Reforma Tributária 2026 já altera rotinas e responsabilidades de empresas, contadores e desenvolvedores. No Portal Ubá News, Marcos Eduardo e Cristiano Vieira explicam por que o momento exige planejamento, tecnologia confiável e parceria entre todos os atores do ecossistema empresarial. Mesmo com alíquotas baixas, o período de testes define o futuro das operações e do cumprimento fiscal no Brasil.

A Reforma Tributária começou a valer em 2026. Mesmo com alíquotas simbólicas, o impacto já é real.

A Reforma Tributária começou a valer em 2026: Por que as empresas já precisam se preparar agora. Cobertura especial da entrevista no Portal Ubá News – Canal Fala Sodré. Imagens: Laisa Sodré | Conteúdo: Pedro Henriques – INDICCA.COM.

A Reforma Tributária mesmo com alíquotas simbólicas, o impacto já é real. E, justamente por isso, o momento exige planejamento, engajamento e parceria entre empresários, contadores, advogados e profissionais de tecnologia.
Ontem, no Portal Ubá News, no canal Fala Sodré, participei como apresentador substituindo o amigo repórter Carlos Roberto Sodré. Recebi Marcos Eduardo, contador da Achei Contabilidade, e Cristiano Vieira, advogado da ACJE Advogados, para um bate‑papo tão urgente quanto necessário.

A Reforma Tributária começou a valer em 2026. Mesmo com alíquotas simbólicas, o impacto já é real.

A Reforma Tributária começou a valer em 2026. Mesmo com alíquotas simbólicas, o impacto já é real.

A seguir, você confere um resumo aprofundado e didático da conversa — ideal para empresários, profissionais liberais, gestores públicos e desenvolvedores de software que precisam entender, sem rodeios, o que já mudou e o que ainda está por vir.

A transição começou, mesmo sem sentirmos o peso dos impostos

Logo no início, ficou claro que não estamos mais na fase de planejamento da reforma. Estamos na fase de implementação.
As primeiras alíquotas são baixas, mas o período atual funciona como um grande laboratório nacional.

“A gente está trocando o motor do carro com ele andando.”
A metáfora usada por Cristiano resume o momento. Para ele, a mudança se assemelha a alguém que inicia uma viagem longa dirigindo um carro a combustão e, no meio do caminho, troca tudo para um modelo elétrico. A estrutura existe, mas o funcionamento muda completamente.

E essa mudança exige adaptação. Exige leitura cuidadosa das leis complementares 214/2023 e 227/2024. Exige diálogo constante com quem entende do assunto. E exige que empresas olhem não só para o presente, mas para o passado e o futuro tributário.

Tecnologia entra na linha de frente: desenvolvedores agora são corresponsáveis

Um dos momentos mais importantes da entrevista ocorreu quando Marcos Eduardo destacou um ponto que muitos ainda não perceberam:

“O desenvolvedor passa a ser corresponsável se criar um sistema que permita omissão de receita.”

Em outras palavras:

  • sistemas de gestão,
  • ERPs,
  • aplicativos próprios,
  • soluções internas,

todos agora entram no radar fiscal.

E isso muda tudo.

Por quê?

Porque até então, a responsabilidade era quase totalmente do contribuinte. Agora, quem escreve o código também responde por erros, brechas ou inconsistências que facilitem sonegação.

Marcos reforçou o cuidado necessário:

“Toda solicitação de alteração no sistema precisa ser documentada. O desenvolvedor deve pedir a confirmação formal do cliente.”

Ou seja:

  • não existe mais espaço para “faz esse jeitinho aqui no sistema”;
  • não existe mais alteração sem documentação;
  • não existe mais programação fora das normas.

Essa mudança impacta diretamente empresas de software e seus clientes.
E torna essencial o estabelecimento de um canal de confiança entre todos os atores da operação.

O papel dos municípios: ajustes locais antes da reforma plena

Outro ponto quente da conversa foi o comportamento dos municípios diante da transição do ISS para o IBS.

Cristiano explicou que prefeituras já estão revisando seus códigos tributários, mesmo antes da consolidação final do novo sistema.

Segundo ele:

“O tribunal de contas exige atualizações. Mas a reforma vai dar tratamento diferente ao ISS, então muitos municípios estão se antecipando.”

Exemplo prático:
Empresas prestadoras de serviços com operação nacional podem ter de rever endereços fiscais, locais de prestação e centros de distribuição para atender às novas regras.

E isso afeta, especialmente:

  • representantes comerciais,
  • consultores,
  • indústrias que vendem para todo o Brasil,
  • negócios de e‑commerce,
  • prestadores de serviços remotos.

Toda essa movimentação indica que muitas empresas precisarão revisar:

  • seu enquadramento;
  • sua localização fiscal;
  • suas rotinas de emissão;
  • e até sua estrutura societária.

Monitoramento em tempo real: o Fisco agora sabe tudo

Ao longo da entrevista, Marcos trouxe uma linha histórica mostrando como o monitoramento já evoluía há décadas:

  • Sintegra.
  • Cruzamento de dados das maquininhas.
  • Acesso às notas eletrônicas.
  • Informações bancárias globais via e‑Financeira.
  • Movimentações de PIX.

E reforçou:

“A fiscalização hoje acompanha cada documento fiscal emitido, em tempo real.”

Isso significa:

  • menos espaço para erros;
  • menos tempo para correção espontânea;
  • mais necessidade de processos claros e consistentes.

E quando houver divergência?

As multas podem chegar a 150% ou até 200% em certos casos.

Por isso, planejamento e conformidade não são mais escolhas. São obrigações de sobrevivência.

Empresas que podem pagar menos imposto — e ainda não sabem

Cristiano destacou algo fundamental:

“Quem está 100% formalizado pode ter redução tributária.”

Por quê?

Porque a reforma tende a:

  • simplificar regras;
  • reduzir disputas;
  • diminuir problemas de cobrança em cascata.

Mas isso só vale para quem já opera dentro da legalidade.

Já empresas informais ou parcialmente irregulares devem enfrentar:

  • aumento da carga;
  • maior exposição;
  • fiscalizações mais intensas.

Ou seja:

a reforma premia quem faz certo, e aperta quem tenta operar à margem.

Recuperação de crédito tributário continua possível — mas com responsabilidade

Outro tema de destaque: recuperação de impostos pagos a maior.

Marcos Eduardo explicou:

“Quem trabalha dentro da lei deve recuperar o que pagou a mais. Mas precisa de memória de cálculo, planilhas, documentos. Não existe achismo.”

Ele alertou para propostas “milagrosas” que algumas empresas da região têm recebido.

E completou:

“O Estado faz de tudo para não devolver dinheiro. O contribuinte precisa provar que não repassou o custo ao consumidor.”

Já no âmbito federal, o processo é mais seguro, desde que corretamente documentado.

Simples Nacional: sair ou ficar? Cada caso é um caso

Cristiano trouxe um ponto essencial:

“Depende do perfil do cliente.”

Porque para alguns negócios:
– continuar no Simples será mais vantajoso.

Mas para outros:
– migrar para o regime geral pode ser necessário para gerar crédito ao cliente comprador.

Empresas que vendem para grandes indústrias, por exemplo, podem sofrer pressão.
Esses clientes não querem perder o crédito da CBS/IBS.

Por isso, a decisão exige:

  • projeções,
  • cálculos,
  • simulações,
  • análise de carteira,
  • estudo do custo tributário total.

E não existe resposta padrão.

Estruturas societárias: separar empresas não é solução mágica

Ao comentar sobre empresários que desejam abrir várias empresas para tentar economizar imposto, Marcos e Cristiano foram firmes:

“Pode até separar, desde que seja tudo realmente separado.”

Ou seja:

  • endereços distintos,
  • estoques separados,
  • funcionários separados,
  • diretoria separada,
  • operações independentes.

Qualquer mistura gera risco de descaracterização.

PIX e monitoramento: cuidado com informações falsas

No final da entrevista, Marcos fez um alerta contundente:

“Tem muita gente falando bobagem sobre PIX e fiscalização.”

E explicou, com clareza, como funciona a e‑Financeira:

  • Os bancos enviam valores globais.
  • Não enviam dados transação por transação.
  • A Receita só abre extratos em caso de inconsistência relevante.

Ele ainda destacou que é preciso verificar a capacidade operacional da Receita, que não audita todos ao mesmo tempo.

Ou seja:

O contribuinte correto não deve ter medo.
Mas o contribuinte irregular tem motivos de sobra para se preocupar.

Conclusão: estamos treinando, mas o jogo vale muito

Mesmo com alíquotas simbólicas, 2026 é o ano mais estratégico dos últimos 30 anos para quem empreende no Brasil.

Porque agora:

  • já existem regras,
  • já existem obrigações,
  • já existe fiscalização,
  • já existem impactos reais na operação das empresas.

E tudo isso acontece enquanto contadores, advogados, desenvolvedores e empresários ainda tentam entender o tamanho da mudança.

Por isso, o recado da noite foi simples:

Planeje. Estude. Pergunte. Ajuste.
E construa relações de confiança com seus parceiros de negócios.

Afinal, como Cristiano lembrou muito bem:

“A reforma tributária vai impactar todos os setores. Ninguém joga sozinho.”

📚 Cobertura: Carlos Roberto Sodré WhatsApp

📸 Imagens: Laisa Sodré

📝 Conteúdo: Pedro HenriquesINDICCA.COM  WhatsApp

🎓 Evento: A Reforma Tributária começou a valer em 2026. No Portal Ubá News, Marcos Eduardo e Cristiano Vieira explicam por que o momento exige planejamento, tecnologia confiável e parceria entre todos os atores do ecossistema empresarial.

Comente Aqui

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.