Paulinho Poeta conta como acordou os vizinhos e viveu o susto da noite da enchente. A entrevista conduzida pelo repórter Carlos Roberto Sodré, com imagens de Laisa Sodré e geração de conteúdo de Pedro Henriques – INDICCA.COM, registrou um dos relatos mais fortes da enchente que atingiu Ubá entre os dias 23 e 24 de fevereiro.
O personagem central é Paulinho Poeta (Paulo Roberto de Souza), morador e trabalhador da região do Lava-Pés, próximo às ruas Osvaldo Messias, Azevedo Fernandes e José Gomes.
Paulinho Poeta conta como acordou os vizinhos e viveu o susto da noite da enchente ao reporter Carlos Roberto Sodré

Logo no início da conversa, Sodré contextualiza a cena de destruição e dá voz a quem viveu o drama de perto. O depoimento de Paulinho reconstrói minuto a minuto como tudo aconteceu.
Chegada da chuva e o início do alerta
Logo após o início da noite, Paulinho ainda tentava terminar o trabalho na oficina. Segundo ele, a segunda-feira estava muito cheia de demandas.
Mesmo cansado, ele fez questão de observar o rio antes de subir para casa:
“O rio estava cheio, mas pensei que não ia subir. De uma hora pra outra começaram a descer bananeiras, gado… aí eu percebi que tinha alguma coisa errada.”
A partir desse momento, o risco ficou claro.
Então ele decidiu voltar pela rua Cristiano, onde percebeu que a água já começava a transbordar.
A percepção do perigo
Assim que retornou, Paulinho viu que a água ganhava força e altura rapidamente.
Ele descreve:
“Quando voltei o rio já estava fazendo água. Transbordando mesmo.”
A partir dali, tudo se tornou uma corrida contra o tempo.
Ele correu para salvar os cachorros e, logo depois, voltou para a rua para alertar vizinhos.
O gesto decisivo: acordar quem ainda dormia
No auge da enchente, Paulinho tomou uma atitude que pode ter salvado vidas.
Ele bateu em portões, chamou moradores e avisou que a água subia rápido.
“Consegui acordar o pessoal. Eles foram pra rua. Pelo menos ninguém perdeu a vida.”
A fala simples resume a gravidade da situação.
Enquanto muitos perdiam bens, móveis, carros e ferramentas, a prioridade era garantir que ninguém ficasse preso dentro de casa.
A força da água e o medo silencioso
Mesmo mantendo a calma, Paulinho descreve a tensão do momento:
“Você vê a água chegando, passando, descendo, e não tem o que fazer. É rezar e pedir a Deus.”
Ele destaca que a força da água era indescritível.
A cada minuto, o nível subia de forma nunca vista.
Logo ele notou que lugares que nunca tinham sido atingidos estavam ficando submersos.
A madrugada de vigília
Durante toda a madrugada, Paulinho e outros moradores permaneceram na rua, atentos ao movimento da água.
Ele relata:
“A gente ficou até seis horas da manhã aqui. A água chegou num ponto que ninguém imaginava.”
Enquanto isso, veículos eram arrastados.
Carros estacionados na via pública desapareceram.
Na região das concessionárias, praticamente todos os automóveis foram destruídos pela correnteza.
A volta à oficina e o choque da destruição
Quando o dia amanheceu, a cena era de devastação.
Paulinho lembra que não conseguiu entrar na oficina antes das 6h.
Ao entrar, encontrou perdas quase totais:
“Eu perdi quase tudo. Material, equipamentos, tecidos… não dava pra aproveitar mais nada.”
Mesmo assim, ele ressalta algo importante:
“Não perdemos vidas. Isso é o que importa.”
A notícia para a família
Depois de garantir a segurança dos vizinhos e observar a intensidade da enchente, Paulinho foi até a casa dos pais.
Ele bateu à porta às 2h da manhã para tranquilizá-los:
“Meu pai estava acordado. Tentei acalmar. Voltei para a rua porque não tinha muito o que fazer.”
Ao amanhecer, o pai visitou a área e ficou chocado com a dimensão da tragédia.
Memórias de uma enchente antiga
Moradores antigos da região não lembravam de algo assim desde os anos 80.
Paulinho comenta:
“Teve uma enchente que chegou até a ponte da Bandeira. Mas não assim. Não desse jeito.”
A fala mostra a surpresa da comunidade diante de um evento muito maior do que o esperado.
As perdas humanas e o impacto emocional
Durante a entrevista, Paulinho fala com tristeza sobre pessoas conhecidas que perderam a vida.
“Tinha um casal que sempre ficava na Cristiano. Quando soube, senti como se fosse alguém da família.”
Ele fala sobre a dor coletiva e a dificuldade de entender que aquela tragédia alcançou pessoas queridas.
A solidariedade que brotou no caos
Apesar do medo, a tragédia também revelou gestos de empatia.
Paulinho destaca:
“Teve gente oferecendo comida pra gente na terça-feira. Pessoas que a gente nem conhecia.”
Voluntários, empresários, moradores de todas as partes da cidade vieram ajudar.
Esse apoio foi essencial no primeiro momento.
O desafio da limpeza e o risco sanitário
Logo após a água baixar, a lama tomou conta das casas, oficinas e comércios.
Paulinho lembra o choque:
“Nada era de ninguém. Tudo estava misturado. A gente tirava as coisas pra rua sem saber o que era de quem.”
Ele reforça a importância da vacinação e dos cuidados sanitários por causa do contato com a lama contaminada.
Um pedido aos governantes e à cidade
Em tom firme, Paulinho deixa uma mensagem direta:
“Que Deus ilumine os governantes. Ubá precisa deles agora. A cidade inteira foi afetada.”
Ele reforça que todos terão de reconstruir juntos.
E lembra que a cidade já superou outras enchentes, e que dessa vez não será diferente.
O apelo para apoiar o comércio local
No final, Paulinho faz um convite:
“Vamos comprar nas lojas daqui. Vamos gastar aqui dentro pra ajudar a cidade a retomar.”
Ele reforça que muitos empresários perderam tudo, inclusive estoque, equipamentos, máquinas e veículos.
Sobre a produção do conteúdo
O registro desse relato emocionante só foi possível graças ao trabalho conjunto:
- Reportagem: Carlos Roberto Sodré
- Imagens: Laisa Sodré
- Geração de conteúdo: Pedro Henriques – INDICCA.COM
O material completo será publicado nas redes sociais da equipe, incluindo Instagram, YouTube, TikTok e Facebook.
Conclusão: uma noite para nunca esquecer
A fala de Paulinho Poeta não é apenas um relato.
Ela é parte da memória coletiva da cidade.
Ela documenta o medo, o caos, a perda e a coragem.
Além disso, reforça como pequenos gestos — como acordar um vizinho — podem salvar vidas.
Também fortalece a ideia de união em tempos difíceis.
E marca o início de uma reconstrução que dependerá de cada morador.
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📚 Cobertura: Carlos Roberto Sodré WhatsApp
📸 Imagens: Laisa Sodré / Felipe Oliveira
📝 Conteúdo: Pedro Henriques – INDICCA.COM WhatsApp
🎓 Evento: Paulinho Poeta conta como acordou os vizinhos e viveu o susto da noite da enchente


